
Disputa acirrada!
Chegou
a hora da maior batalha de todos os tempos, a novela infantil de
sucesso entre a galerinha miúda de hoje em dia versus a história que
marcou a infância das crianças da década de 1990. Isso mesmo,
“Carrossel” contra “Chiquititas”, praticamente um duelo entre gerações
diferentes. Para decidirmos qual novela é a melhor, preparamos uma
batalha seguindo os moldes dos arranca-rabo feitos pelo Blog de Música
do POP e vamos decidir essa peleja em diversas categorias. Quem será que
leva o prêmio de melhor novela infantil?

As
novelas infantis têm o poder de incentivar as crianças, isso é fato. Se
a Maria Joaquina aparecesse na tela do SBT e ordenasse a todas as
crianças do Brasil a comer espinafre porque é a coisa mais legal do
mundo, íamos ter uma falência coletiva de todas as redes de Fast Foods
porque as crianças seriam influenciadas pela menina.
“Carrossel”
vende a ideia de ser muito legal ser aluno de uma escola, algo muito
bom para o desenvolvimento do país. Contudo, “Chiquititas” vende a
glamourização dos órfãos, assim como as histórias do Batman e do Harry
Potter. Basta ver as crianças da década de 1990, todas achavam muito
legal aquela vida cheia de danças e cantorias, sem reparar que se
tratavam de crianças abandonadas pelos pais biológicos à espera de uma
nova chance de ser feliz. E “Chiquititas” não fazia o menor sentido,
porque os vizinhos do orfanato também abandonavam os pais só para morar
naquele orfanato como se aquele lugar fosse uma casa feita de doces.
Por
vender uma ideia deturpada da vida, “Chiquititas” vai ganhar apenas uma
estrelinha. Já “Carrossel” leva já cinco estrelinhas por incentivar o
futuro do país através da educação.

Todo
grupo de crianças tem um destaque que funciona como líder. Em
“Carrossel”, a mandante é Valéria só porque a apresentadora, atriz e
cantora (não é, Sílvia) é a favorita do dono da emissora. Valéria dita
as ordens comportamentais na Escola Mundial, decide quem deve ser
excluído do círculo de amizades e é a cabeça por trás das artimanhas das
crianças. Já a Mili é a representante das crianças órfãs de
“Chiquititas”. Ela contava histórias para as meninas com o intuito de
ensinar lições de moral, cantava, era carismática e conseguiu se curar
de uma cegueira (!) adquirida após cair de um cavalo (!!!), tornando
Mili em uma versão feminina de um messias religioso. Também pudera, sua
mãe é a incrível mulher que conseguiu se curar do autismo.
Por
transcender o nosso conhecimento de mundo, Mili leva duas estrelinhas.
Valéria leva uma só, e só porque puxou a peruca do Sílvio Santos.

Já a Bia não era tão cruel, e sua malvadeza era justificada pela novela através da desculpa naturalista de ela ter sido criada nas ruas e em um orfanato. Porém, ela fez uma maldade muito maior que qualquer Maria Joaquina: Bia fez uma colega de orfanato ficar paraplégica após cair da escada. Claro que a menina se curou depois (provavelmente graças aos poderes mutantes de Mili), e tudo ficou bem.
Vamos considerar um empate. Bia leva uma estrela porque fez uma grande maldade, e Maria Joaquina ganha uma por ter passado a tratar bem Cirilo só depois que o pai do menino ganhou dois milhões na loteria.

Vamos
analisar apenas a vida amorosa de Professora Helena e da Diretora
Carolina. A professora da Escola Mundial é mais recatada, afinal
conheceu o professor Renê na metade da novela e até hoje está com ele,
conversando sobre a situação da educação no Brasil e tomando sorvete no
parque. Já a Carolina serve para mostrar às crianças que o amor para
toda a vida não existe, porque durante toda a novela “Chiquititas” ela
se envolveu com pelo menos quatro homens: Junior, Fernando Brausen,
Felipe Ayala e Manoel Ayala (sim, ela pegou irmãos gêmeos).
Estava
pronto para deixar “Chiquititas” com estrelas negativas graças ao
periguetismo de Carolina, mas a Marcha das Vadias nos ensinou que as
mulheres têm o direito de ficar com quem quiserem e com quantos acharem
conveniente, assim como os homens. Por isso, cada uma vai ganhar uma
estrela para cada amor: Carolina leva quatro e Helena leva uma.

Toda
novela infantil precisa de uma velha especializada em descontar as
frustrações da vida tratando as crianças com severidade. O papel em
“Carrossel” é Olívia, a diretora com cara de sapo e constantemente
abanada por um leque roubado do closet da Nanny People do “Cante se
Puder”. A amargura dela é por falta de homem, por isso ela já foi vista
em sites de relacionamento tentando descolar um partidão. Como não deu
certo, ela descarregou o ódio sendo uma carrasca com as crianças.
Em
“Chiquititas”, Carmen era a antiga diretora e dona daquele local que
atende pelo nome de Orfanato Raio de Luz. Ela era apenas uma senhora
amarga criada durante o período da ditadora militar, discordando dos
métodos subversivos e revolucionários de educação (todos baseados em
amor, compreensão e em músicas porcamente traduzidas do espanhol)
levados ao orfanato pela periguete Carolina.
Nessa
competição, Carmen leva duas estrelas por ser uma carrasca e ter dois
clipes musicais em que é transformada em uma bruxa. Já Olívia leva
apenas uma, só porque fiquei assustado demais com a diretora para
deixá-la sem pontos.


Já “Carrossel”, meu filho, isso sim que é diversidade. Temos alunos brancos, negros, magros, gordos, judeus, fofoqueiros (espera, isso não é cota…), cadeirantes, órfãos, pobres, pobríssimos, ricos, novos, velhos, orientais. Só faltou um aluno de esquerda e um homossexual para ser um painel perfeito da diversidade brasileira.
Por causa da variedade, “Carrossel” leva nada menos que duas estrelinhas, enquanto “Chiquititas” fica sem nada.

O
bullying é como a gordura saturada: é algo que sempre existiu, mas
agora decidiram decretar que é um malefício para a humanidade, quando na
verdade ambas só fazem mal em doses cavalares. “Chiquititas” não sofria
de bullying, pois todas as crianças se ofendiam mutualmente com
igualdade. Porém, em “Carrossel”, a doença do século XXI foi elevada a
níveis astronômicos com as crianças fazendo maldades com todos, porém
sendo punidas pelas brincadeiras porque hoje isso é errado.
As
duas novelas levariam zero estrelinhas por causa das crianças arteiras.
Porém, “Carrossel” tem Maria Joaquina, a sócia do coisa ruim, então ela
sozinha vai levar quatro estrelinhas.
Resultado final: “Carrossel” 15 x 15 “Chiquititas
Empate. Não tem como decidir a melhor novela infantil, pois sempre vamos considerar melhor a que vimos durante nossa infância.
Empate. Não tem como decidir a melhor novela infantil, pois sempre vamos considerar melhor a que vimos durante nossa infância.
Portal POP – Coisas de Novelas – Fábio Gárcia
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